Ao escrever sobre “A imanência de Deus”, A. W. Tozer (1897-1963) diz:
“O anseio pela proximidade de Deus e por fazer que o Senhor se achegue a nós é universal entre cristãos nascidos de novo. Todavia, pensamos em Deus como se ele viesse de longe até onde estamos, quando a Bíblia e a teologia cristã, desde Davi, declaram que ele já está aqui – agora. Deus não habita no espaço, portanto, não precisa vir feito um raio de luz de algum lugar distante. Não existe lugar distante para ele, que contém toda lonjura e todas as distâncias no próprio e grande coração.
Por que, então, o sentimos tão afastado? Trata-se da disparidade das nossas naturezas; da desigualdade. Temos similaridade suficiente para que Deus possa manter comunhão conosco, chamar-nos de filhos e podermos dizer: ´Aba, Pai´. Mas, na prática disso tudo, sentimos nossa disparidade, por isso Deus parece distante.
Estou tentando explicar simplesmente o seguinte: a proximidade de Deus não é questão geográfica ou astronômica. Tampouco espacial. Trata-se de algo espiritual, relacionado a natureza. Assim, quando oramos: ´Deus, leva-me para junto de ti´ ou ´Deus, vem mais perto´, não pedimos (se formos bons teólogos) para Deus se aproximar a partir de uma longa distância. Sabemos que ele está aqui agora. Jesus disse: ´[…] E eu estarei sempre com vocês […]´ (Mateus 28:20). O Senhor está aqui presente. Jacó disse: ´[…] o Senhor está neste lugar, mas eu não sabia!´(Gênesis 28:16), não ´Deus veio a este lugar´; suas palavras foram: ´o Senhor está neste lugar´.
Então, pelo que oramos? Por uma manifestação da presença de Deus. Não pela presença, mas por sua manifestação. Por que não temos a manifestação? Porque permitimos a diferença. Permitimos a disparidade moral. Aquele ´sentido´ de ausência é o resultado da diferença remanescente dentro de nós.
O desejo, o anseio por estar perto de Deus é, na verdade, o anseio por ser como ele. O anseio do coração liberto de ser como Deus de modo que seja possível estabelecer comunhão perfeita, e o coração e Deus possam se unir em divina comunhão.” (p.131-132)
“[…] Penso que arrependimento se faz necessário. Precisamos nos arrepender da disparidade; da profanação na presença da santidade; da autocomplacência na presença do Cristo abnegado; da dureza na presença do Cristo bondoso; da inflexibilidade na presença do Cristo perdoador; da mornidão na presença do Cristo zeloso e ardente feito chama; da mundanidade e da secularidade na presença do Cristo celestial. Penso que precisamos nos arrepender.” (p.141)
(A. W. Tozer; in: “Os atributos de Deus – vol 1”; Editora Vida)
