O Espírito Santo e as Sagradas Escrituras

Em seu livro O Chamado Para Líderes Cristãos (Editora Cultura Cristã, 2018), John Stott no terceiro capítulo faz um reflexão no texto do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 2:6-16 onde destaca a grande ênfase sobre a pessoa e o ministério do Espírito Santo e no seu papel de ensinar. Separo aqui um pequeno trecho para encorajá-lo na leitura desse pequeno grande livro:

“Consideramos o papel de ensino do Espírito Santo em quatro estágios – busca, revelação, inspiração e instrução. Primeiro, ele perscruta as profundezas de Deus e conhece os pensamentos de Deus e é, portanto, qualificado de forma única para o seu papel de ensino. Segundo, ele revelou as suas descobertas aos apóstolos e a outros autores bíblicos. Terceiro, ele comunicou essas coisas a outros, por intermédio dos autores bíblicos e o fez por meio de palavras escolhidas por ele. Quarto, ele instruiu a mente dos leitores bíblicos, para que possam discernir o que ele revelou para os autores bíblicos e por intermédio deles. E continua esse trabalho de instrução nos dias de hoje.

Assim, precisamos nos humilhar, tanto diante da Palavra como do Espírito. Nós ainda temos que estudar a Palavra, ponderar sobre seu significado e aplicação, mas também precisamos clamar ao Espírito por instrução. A oração humilde e o estudo diligente precisam estar combinados. Um mensageiro celestial disse a Daniel: ´Desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras…´ (Dn. 10:12). Do mesmo modo, Paulo escreveu a Timóteo: ´Pondera o que acabo de dizer, porque o Senhor te dará compreensão em todas as coisas´ (2 Tm. 2:7). Nós ponderamos; ele nos instrui. Pois a Palavra permanece letra morta até que o Espírito lhe dê vida.

Relógio de Sol em Natal, RN (Brasil).

Charles Simeon, de Cambridge, usou um relógio de sol como analogia para ilustrar esse aspecto. Se consultarmos o relógio num dia cinzento, quando o sol não está brilhando, não poderemos saber as horas. O relógio tem somente figuras; não há mensagem alguma. Mas quando o sol aparece e ilumina o relógio, imediatamente o ponteiro marca e nós podemos saber as horas.

Do mesmo modo, se lermos as Escrituras num dia cinzento, quando há nuvens entre Deus e nós, o livro mostrará apenas papel e letras; não há mensagem alguma. Mas quando as nuvens se levantam e sol aparece, a luz do Espírito brilha nas páginas impressas e na nossa mente, e Deus fala por intermédio de sua Palavra.

A Palavra e o Espírito formam uma unidade. Não devemos separar o que Deus uniu.”

(STOTT, John, O chamado para líderes cristãos, ECC, 2ª ed., 2018, pp.55-56)

O seminário de sofrimento de Martinho Lutero

Ao falar sobre nossas lutas e provações para lermos e compreendermos a Palavra de Deus, John Piper cita o texto a seguir sobre o exemplo das provações na vida de Lutero.

“Salmo 119:71: ´Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos´. A experiência de sofrer não somente requer uma aplicação dos estatutos de Deus, mas também oferece discernimento sobre esses estatutos. Martinho Lutero escreveu, talvez mais do que ninguém, sobre a necessidade de sofrimento em fazer de alguém um bom intérprete da Bíblia. Ele disse:

´Quero que você saiba como estudar teologia da maneira correta. Tendo eu mesmo praticado este método… Aqui você encontrará três regras. São propostas frequentemente no Salmo [119] e são estar: oratio, meditatio, tentatio (oração, meditação, provação)´.

E Lutero chamava as provações de ´critério´. Provações, ele escreveu, ´nos ensinam não somente a saber, mas também a experimentar quão correta, quão doce, quão amável, quão poderosa, quão reconfortante é a Palavra de Deus: sua sabedoria é suprema´. Ele mesmo provou o valor das provações, repetidas vezes, em sua própria experiência:

´Logo que a Palavra de Deus se torna conhecida de você, o Diabo o afligirá, fará de você um verdadeiro doutor e o ensinará, por suas tentações, a buscar e a amar a Palavra de Deus. No que diz respeito a mim mesmo… devo a meus papistas muitos agradecimentos por me atacarem, pressionarem e amedrontarem, pela fúria do Diabo, de tal modo que me tornei um teólogo razoavelmente bom, conduzindo-me a um alvo que eu nunca teria atingido´.

(…) Muito frequentemente, sou tentado a pensar que pressões, conflitos e frustrações são apenas distrações do negócio de estudar e entender. Lutero (e Salmo 119:71) nos ensina a ver tudo de outra maneira.

(PIPER, John“Lendo a Bíblia de modo sobrenatural”. Editora Fiel, 2018, pp.498–500)

Não consigo ter vontade de ler a Bíblia. O que fazer?

“Inclina-me o coração aos teus testemunhos e não à cobiça” – Salmo 119:36

Em seu livro “Lendo a Bíblia de modo sobrenatural” (Editora Fiel), o pastor John Piper compartilha sobre como manter ou (re)acender o desejo pela meditação/leitura na Palavra de Deus. Se você tem lutado com isso, esse texto é para você.

“´Inclina-me o coração aos teus testemunhos.´ Com o passar dos anos em meu ministério pastoral, muitas pessoas têm se queixado de que não têm motivação para ler a Bíblia. Têm um senso de dever, mas não o desejo. É notável quantas dessas pessoas acham que a ausência de desejo é o golpe final na meditação prazerosa na Palavra de Deus.

Quando lhes peço que descrevam o que farão a respeito do problema, elas olham para mim como se eu não tivesse compreendido o problema. O que podemos fazer a respeito da ausência de desejo, elas perguntam. “Não é uma questão de fazer. É uma questão de sentir”, elas reclamam. O problema desta resposta é que essas pessoas não somente perderam o desejo pela Palavra de Deus, mas também perderam de vista o soberano poder de Deus. Estão agindo como ateus práticos. Adotaram o tipo de fatalismo que ignora a maneira como o salmista orou.

Evidentemente, o salmista também sentia esta horrível tendência para se afastar da Palavra de Deus. Evidentemente, ele também conhecia o esfriamento do desejo e a tendência de seu coração para se inclinar mais a outras coisas – em especial, o dinheiro. Se não, por que ele teria clamado: “Inclina-me o coração aos teus testemunhos e não à cobiça”? Ele estava insistindo com Deus que lhe desse desejo pela Palavra. O salmista sabia que, em última análise, Deus é soberano sobre os desejos do coração. Por isso, ele clamou a Deus que fizesse o que não podia fazer acontecer de si mesmo. Isto é a resposta ao fatalismo. É a resposta a agir como um ateu – como se não houvesse um Deus que governa o coração e que pode restaurar o que perdemos.

Não posso enfatizar demais como nossa real incapacidade deve ser acompanhada do clamor diário para que Deus desperte e sustente nosso desejo de ler sua Palavra. Muitos de nós são passivos no que diz respeito a nossas afeições espirituais. Somos fatalistas práticos. Pensamos que não podemos fazer nada. ´Oh! Bem, hoje não tenho nenhum desejo de ler a Bíblia. Talvez amanhã eu o tenha. Vejamos.´ E saímos para o trabalho.

O salmista não pensava nem agia dessa maneira. Não foi assim que agiram os grandes santos da história da igreja. A vida é guerra. E as principais batalhas são travadas no nível dos desejos e não das obras. Quando Paulo disse: ´Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena´, ele incluiu na lista ´paixão lasciva, desejo maligno e a avareza´ (Cl. 3:5). Estes são os grandes destruidores do desejo pela Palavra de Deus. O que Jesus disse que remove o nosso desejo pela Palavra? ´Os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra´ (Mc. 4:19). Paulo nos ordena matar essas ´demais ambições´, antes que elas nos matem. Paulo não nos incentiva a sermos passivos ou fatalistas. Ele nos encoraja a lutarmos por nosso desejo pela Palavra de Deus.

E o primeiro e mais decisivo golpe que podemos dar contra as ´demais ambições´ que ´sufocam a palavra´ é o clamor diário para que Deus ´incline´ nosso coração à sua Palavra e não à ´cobiça´. Não espere até que tenha perdido o desejo para começar a orar por este desejo. Se o desejo estiver presente, dê graças e peça a Deus que o preserve e o intensifique. Se você sente que seu desejo está esfriando, peça a Deus que o aqueça. E, se o desejo já se foi, e você não sente nenhum desejo de orar, faça o que pode. Arrependa-se. Conte a Deus que você está triste pelo fato de que o desejo pela Palavra está morto. Diga-lhe como você se sente. Ele já sabe. Peça-lhe – e isto é possível sem hipocrisia por causa da ´semente incorruptível´ (1 Pe. 1:23) que permanece nos filhos de Deus. Peça-lhe o desejo que agora você quase nem consegue ter vontade de pedir. Ele é misericordioso.”

(PIPER, John. “Lendo a Bíblia de modo sobrenatural”. Editora Fiel, 2018, pp.330-332)

O enredo da salvação

Neste sábado (22/10), a partir das 10h na Comuna Batista teremos uma manhã de aprendizado com o pr. Bernardo Cho (professor do Seminário Servo de Cristo e pastor da Igreja Presbiteriana Caminho, SP), falando sobre seu livro “O enredo da salvação” (Editora Mundo Cristão).

Esse livro foi uma das minhas melhores leituras no ano passado. Com recomendações de Christopher Wright (o conheci quando ainda era reitor do All Nations College, atual diretor da Langham Partnership International, ministério que cuida do legado do rev. J. Stott); N. T. Wright (teólogo inglês e autor de diversos livros já publicados no Brasil) e de meu amigo Ziel Machado (vice-reitor do Seminário Servo de Cristo) entre outros.

Venha participar conosco. Invista esse tempo em seu crescimento no conhecimento da Palavra. Evento é gratuito.

Compartilho a seguir alguns trechos logo do início do livro para te encorajar nessa rica leitura.

“(…) à medida que comecei a estudar a Bíblia, logo percebi que o evangelho é muito mais amplo do que eu havia aprendido anteriormente. Para minha surpresa, o ´plano maravilhoso de Deus´ não é meramente para ´minha vida´, mas para o universo inteiro – o projeto divino é cósmico. Consequentemente, Deus deseja não apenas ´se relacionar comigo´, como também concretizar um propósito para toda a criação. E o mais chocante de tudo é que a história contada nas Escrituras não pula do pecado de Adão e Eva diretamente para a cruz do Calvário. Nos primeiros dois terços da Bíblia, Jesus sequer dá as caras: muito antes de Cristo nascer, há o chamado de Abraão, a formação de Israel, o governo dos reis, a pregação dos profetas, o evento do exílio – e muito mais. O próprio Jesus, quando enfim entra em cena, é condenado à morte somente depois de ter afirmado e realizado várias coisas importantes. E não podemos nos esquecer do papel crucial que o Espírito Santo desempenha na Igreja e por meio dela após a ressurreição de Jesus.

O ponto é que, se não concebermos o cerne da mensagem cristã a partir do contexto todo-abrangente do enredo bíblico, cometeremos o sério erro de reduzir o evangelho a algo menor do que ele realmente é. E, quando isso acontece, toda nossa vida fica comprometida: nossa visão de Deus se torna limitada, nossa percepção sobre nós mesmos se distorce, nossos relacionamentos perdem o norte, nossa maneira de entender a vocação cristã se empobrece, e nosso envolvimento no mundo – seja na esfera profissional, social, política, cultural, ambiental ou econômica – perde completamente o sentido.

(…) um evangelho que não contempla a totalidade da existência humana prova-se totalmente incapaz de dar coesão à realidade fragmentada ao nosso redor.

(…) Muito longe de formarem um compêndio de proposições abstratas, as Escrituras são o relato de como o Criador de todo o cosmo conduziu a história humana, entrando ele mesmo nessa história, para se revelar e redimir sua criação.

(…) conquanto a Bíblia contenha uma variedade considerável de livros em diferentes gêneros literários, ela não apenas se apresenta predominantemente na forma narrativa, como também nos conta uma história que é profundamente coerente, a despeito de seus ´altos e baixos´. Seja lá qual for o texto bíblico que estivermos lendo – um salmo, um provérbio ou uma epístola – há uma narrativa sempre implícita.

(…) o senhorio de Cristo toca cada canto do cosmo criado por Deus.”

(CHO, Bernardo. O enredo da salvação. Ed. Mundo Cristão, 2021, pp.18-19,22)

Por que se enfurecem as nações

Estou lendo e aprendendo muito com o livro “Por que enfurecem as nações: reflexões sobre fé e política em tempos de polarização”, escrito pelo pelo pastor americano Jonathan Leeman, doutor em teologia e política, mestre em teoria política e diretor editorial do ministério 9Marks, além de ser presbítero na Cheverly Baptist Church, em Washington, DC.

Pulicado pela Thomas Nelson Brasil, esse livro trata com muito cuidado um tema atual e nos convida a uma reflexão profunda, ampla e necessária sobre o tema. Leeman já tem diversos livros publicados em português com temas mais voltados a eclesiologia, mas gostaria de destacar algumas frases, apenas do primeiro capítulo desse novo livro, para encorajá-lo nesta leitura.

“Igreja e Estado são instituições distintas providas por Deus e devem permanecer separadas. Toda igreja, porém, é uma organização política em todos os aspectos. E todo governo é um campo de batalha entre deuses, de modo a ser profundamente religioso. Ninguém separa sua política da sua religião, seja cristão, agnóstico, ou um progressista secularizado. Isso é impossível.”

(LEEMAN, Jonathan. “Por que se enfurecem as nações: reflexões sobre fé e política em tempos de polarização”, Thomas Nelson Brasil, 2022; p.27).

“Primeiro seja, depois faça. Não venha me dizer que você está interessado em política se você não procura ter uma vida mais justa, reta e apaziguadora com todos que fazem parte de seus círculos mais próximos.” (Ibid. p.30).

“A política deveria começar com cada um de nós colocando de lado as espadas verbais que podemos ser tentados a brandir contra outros membros da igreja que votem diferentemente de nós. Qualquer impacto político que nossos irmãos na fé possam ter na igreja e por meio dela durará para sempre. É excelente a forma como meu pastor principal, Mark, coloca: ´Antes e depois dos Estados Unidos, houve e haverá a igreja. Nossa nação é um experimento. A igreja é uma certeza´.

Quando digo que devemos ser antes de fazer, quero dizer que a igreja local deve primeiramente se empenhar para viver a justiça, a retidão e o amor em unidade. Somente então ela pode recomendar seu entendimento de justiça, retidão e amor à nação.

(…) quero mudar nosso enfoque de redimir uma nação para viver como uma nação redimida. (…) Nossa vida no meio da congregação deve nos ensinar sobre a justiça e o amor que Deus deseja para toda a humanidade. Então, as lições que aprendemos dentro da igreja esclarecerão nossa ação pública fora dela.” (Ibid. p.31).

“Quero que o povo de Cristo siga a Cristo em todas as áreas da vida, inclusive quando desempenham as funções de eleitores, servidores públicos, lobistas, jornalistas, juristas e cidadãos.” (Ibid. p.35).

“Seu batismo declara que você foi sepultado e ressuscitado com Cristo, devendo representar a virtude, a justiça e o amor dele em todo lugar que for.

A postura política cristã, em poucas palavras, não deve jamais ser a de se abater. Nem a de prevalecer. Deve sempre ser a de representar, e devemos fazê-lo quer o mundo nos ame ou nos despreze. Qualquer um que lhe diga: ´Recue, estamos perdendo!´ ou ´Avance, estamos ganhando!´ provavelmente já sucumbiu a um tipo de utopismo, como se fosse possível construirmos um céu na terra. Em vez disso, o céu começa em nossos cultos, ainda que como um mero reflexo turvo. Os cristãos, são embaixadores do céu e nossas igrejas são suas embaixadas. Nem pânico nem triunfalismo nos caem bem – já uma alegre confiança sim. Representamos esse reino celestial futuro no tempo presente, esteja o horizonte nublado ou límpido.” (Ibid. p.36).

Sal e luz em tempos de polarização

Assista o estudo realizado em nossa comunidade (Comunidade Batista de Santo André) no sábado (24/9) com o tema “Sal e luz em tempos de polarização: o testemunho cristão e o exercício de sua cidadania”. Uma conversa pastoral em ano eleitoral. Disponível também em áudio pelo Spotity e Apple Podcast da Comuna Batista (links disponíveis no site da igreja).

Sal e luz – o cristão em uma sociedade não cristã

“O cristão em uma sociedade não cristã”, um livro escrito em 1984, mas que tem muito a falar ainda a nossa e futuras gerações sobre o que é ser “sal e luz” em nossa sociedade. Esse clássico de John Stott precisa ser (re)descoberto e trazido à mesa para conversas pastorais e discipulado nos dias de hoje (acrescentaria na sequência ou antecedendo a essa leitura seu outro clássico escrito em 1992, “O cristão contemporâneo”, para completar o pensamento de Stott nesses temas). Compartilho algumas frases para encorajá-lo nessa leitura.

“O mundo é a arena em que devemos viver e amar, testemunhar e servir, sofrer e morrer por Cristo”.

STOTT, John. O cristão em uma sociedade não cristã. Thomas Nelson Brasil, 2019, p.43. 

“De um lado, a igreja é um povo “santo”, chamado para fora do mundo a fim de pertencer a Deus. De outro, é um povo “mundano”, no sentido de renunciar à sua cidadania “do outro mundo” e de ser enviado de volta ao mundo atual para testemunhar e servir.” (Ibid., p.54) 

´Mais importante do que os meros números de discípulos professos são a qualidade de seu discipulado (manter os padrões de Cristo sem compromisso) e o seu emprego estratégico (conquistar posições de influência para Cristo). Nosso hábito cristão é lamentar os padrões do mundo em deterioração com um ar de desespero um tanto farisaico. Criticamos sua violência, sua desonestidade, sua imoralidade, seu desrespeito à vida humana e sua ganância materialista. “O mundo está indo por água abaixo”, dizemos balançando a cabeça. Mas a culpa é de quem? Quem é o culpado? Deixe-me dizê-lo assim: Se a casa estiver escura quando a noite cai, não faz sentido culpar a casa; é o que acontece quando o sol se põe. A pergunta que precisamos fazer é: “Onde está a luz?” Semelhantemente, quando a carne estraga e se torna intragável, não faz sentido culpar a carne; é o que acontece quando permitimos que as bactérias se multipliquem. A pergunta que precisamos fazer é: “Onde está o sal?” Da mesma forma, se a sociedade se deteriora e seus padrões entram em declínio até que ela se transforme em noite escura ou peixe podre, não faz sentido culpar a sociedade; é o que acontece quando homens e mulheres caídos são entregues a si mesmos e o egoísmo humano não é controlado. A pergunta que precisamos fazer é: “Onde está a Igreja? Por que o sal e a luz de Jesus Cristo não estão permeando e mudando nossa sociedade?” É pura hipocrisia da nossa parte levantar as sobrancelhas e os ombros ou esfregar as mãos. O Senhor Jesus nos instruiu a sermos o sal e a luz do mundo. Se abundarem escuridão e podridão, em grande parte a culpa é nossa, e precisamos assumir a responsabilidade.” (Ibid., p.84-85)

“Quando o evangelho é pregado de forma fiel e ampla, ele não só leva uma renovação radical até os indivíduos, mas produz o que Raymond Johnston chamou de “uma atmosfera antisséptica”, em que blasfêmia, egoísmo, ganância, desonestidade, imoralidade, crueldade e injustiça não florescem com tanta facilidade. Um país permeado pelo evangelho não é um solo em que as ervas daninhas conseguem arraigar-se com facilidade, muito menos florescer.” (Ibid., p.88)

“Se é verdade que Deus costuma operar por meio dos insignificantes e pequenos para realizar seus propósitos, então não há desculpa para um cristão sentir-se alienado. Bem pelo contrário: devemos deleitar-nos com o fato de que ninguém é insignificante demais para ser usado por Deus a fim de mudar o mundo.” (Ibid., p.95)

“…num mundo caído, nenhum programa político pode reivindicar ser a expressão da vontade de Deus.” (Ibid., p. 33).

Levando Deus em conta

Continuo a leitura (sem pressa, sem leitura dinâmica, sem ter que cumprir meta, ô coisa boa) do livro “Lendo a Bíblia de modo sobrenatural” e sendo tremendamente abençoado, desafiado e inspirado a cada página que o pastor John Piper compartilha nesse 2º livro de sua trilogia (1º – Uma glória peculiar; e o 3º – Exultação expositiva). Compartilho aqui mais um pequeno trecho para te encorajar a se engajar nessa leitura também:

“O mundo pensa que, por sermos capazes de colocar o homem na lua, curar doenças, construir arranha-céus e estabelecer universidades, podemos entender as coisas sem referência a Deus. Entretanto, isto é um ponto de vista pateticamente restrito. É restrito porque supõe que o mundo material é enorme e Deus é pequeno. É restrito porque acha que ser capaz de fazer coisas com a matéria, enquanto permanece cego para Deus, é brilhante. Mas, na verdade, um momento de reflexão na atmosfera envolvente do teocentrismo bíblico nos lembra que, quando Deus é levado em conta, o universo material é ´uma parte infinitamente pequena da existência universal´.

Essas são palavras de Jonathan Edwards. Ser impressionado com o universo material e não ser impressionado com Deus é como ficar admirado com o monte Buck, em Minnesota, e entediado com as Montanhas Rochosas do Colorado. Se Deus vestisse um casaco com bolsos, ele levaria o universo em um dos bolsos, como um amendoim. Pensar no significado desse amendoim, sem referência à majestade de Deus, é a obra de um tolo.

Portanto, o retrato de Deus na Bíblia exige que sempre leiamos a Bíblia com o alvo de ver a glória de Deus. Quando Paulo disse que ´dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas´ (Rm. 11:36), não estava querendo dizer ´todas as coisas exceto as que estão na Bíblia´. Ele queria dizer realmente todas as coisas. E, em seguida, acrescentou: ´A ele, pois, a glória eternamente´. Isso significa: a glória de Deus é a origem, o fundamento e o alvo de todas as coisas. A glória de Deus é o alfa e o ômega de todas as coisas – e cada letra entre elas. E, portanto, a glória de Deus dá significado a todas as coisas. E não estaríamos blasfemando em dizer que este Deus glorioso é algo menos do que o significado supremo de todas as coisas?”

(PIPER, John. Lendo a Bíblia de modo sobrenatural: provando e vendo a glória de Deus nas Escrituras; Editora Fiel; pp.110-111)

Bicentenário da independência do Brasil. Dia de orar por nossa nação.

7 de setembro de 2022. Nesse dia especial em nossa terra, bicentenário da independência do Brasil, ore por nossa nação.

“17Peço ao Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, que conceda a vocês espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele. 18Peço que ele ilumine os olhos do coração de vocês, para que saibam qual é a esperança da vocação de vocês, qual é a riqueza da glória da sua herança nos santos 19e qual é a suprema grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder. 20Ele exerceu esse poder em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nas regiões celestiais, 21acima de todo principado, potestade, poder, domínio e de todo nome que se possa mencionar, não só no presente século, mas também no vindouro. 22E sujeitou todas as coisas debaixo dos pés de Cristo e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, 23a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.” (Ef.1:17-23)

“16Peço a Deus que, segundo a riqueza da sua glória, conceda a vocês que sejam fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito, no íntimo de cada um. 17E assim, pela fé, que Cristo habite no coração de vocês, estando vocês enraizados e alicerçados em amor. 18Isto para que, com todos os santos, vocês possam compreender qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade 19e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que vocês fiquem cheios de toda a plenitude de Deus.

20Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, 21a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Ef. 3:16-21)

“‘se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar, me buscar e se converter dos seus maus caminhos, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” (2Crônicas 7:14)

O molde da glória divina

Meu parceiro de café nos últimos dias tem sido o livro “Lendo a Bíblia de modo sobrenatural”, escrito por John Piper.

Destaco apenas um trecho logo a seguir onde Piper argumenta sobre “o molde da glória divina” para encorajar você também à leitura desse livro e sobre o que é ler a Bíblia de modo sobrenatural.

“(…) Ter ´conhecimento de Deus´, em Romanos 1:21, inclui esta experiência de coração, mais profunda, referida em Romanos 2:15. A analogia que acho proveitosa é pensar no conhecimento inato de Deus e de sua vontade como um tipo de molde no coração humano. Este molde é criado por Deus em cada coração humano com uma forma que corresponde à glória de Deus. Em outras palavras, se a glória de Deus fosse vista com os olhos do coração, se encaixaria tão perfeitamente no molde que saberíamos que a glória é real. Saberíamos que fomos feitos para isto.

Portanto, quando Paulo diz que todos os humanos têm ´conhecimento de Deus´ ou que todos os humanos têm a norma da lei ´gravada no seu coração´, ele quer dizer que há um molde na forma de glória em cada coração esperando receber a glória de Deus. Todos temos ´conhecimento de Deus´ no sentido de que temos este testemunho em nosso coração, porque fomos feitos para esta glória. Há uma expectativa e aspiração latente, e a forma dela está inserida no profundo de nossa alma.

A razão por que não vemos a glória de Deus não é que o molde é defeituoso nem que a glória de Deus não está resplandecendo. A razão é ´dureza do coração´ (Ef. 4:18). Esta dureza é uma profunda aversão a Deus e um correspondente amor à autoexaltação. Paulo disse que a mentalidade da carne é inimizade contra Deus (Rm. 8:7). E Jesus disse que ´a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz´ (Jo. 3:19). Nosso problema não é que nos falta a luz, e sim que amamos as trevas. Esta é a dureza de nosso coração.

Assim, em minha analogia do molde, isto significa que o molde, o qual foi perfeitamente formado para a plena satisfação na glória de Deus, está abarrotado de amor por outras coisas. Por isso, quando a glória de Deus brilha no coração – a partir da criação, da encarnação de Jesus ou pelo evangelho – não acha lugar ali. Não é sentida nem percebida como apropriada. Para a mente natural – a mente cujo molde formado para a glória está lotado de ídolos – a glória de Deus é ´loucura´ (1 Co. 2:14). Não se encaixa ali. Como Jesus disse às pessoas de coração endurecido que desejavam matá-lo: ´Procurais matar-me, porque a minha palavra não está em vós´ (Jo. 8:37). É claro, elas podiam raciocinar e lembrar as palavras de Jesus. Mas não podiam vê-las como gloriosas e convincentemente belas. Ouviram as palavras, mas não as amaram. Estas pessoas amavam as trevas que enchiam o molde projetado para o resplendor da glória de Deus.”

PIPER, John. Lendo a Bíblia de modo sobrenatural: provando e vendo a glória de Deus nas Escrituras. Editora Fiel. pp.26-28.