A hipocrisia de não ser sal e luz – John Stott

Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Ao contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus. (Mateus 5.13-16)

“Tanto o sal quanto a luz são produtos efetivos. Eles transformam o ambiente em que são introduzidos. Assim, quando o sal é introduzido na carne ou no peixe, algo acontece; a deterioração por bactéria é evitada. E também, quando a luz é acesa, algo acontece; a escuridão desaparece. Além disso, pode-se argumentar que o sal e a luz têm efeitos complementares. A influência do sal é negativa; impede a deterioração bacteriana. A influência da luz é positiva; ilumina as trevas. Do mesmo modo, Jesus deseja que a influência dos cristãos na sociedade seja tanto negativa (impedindo a disseminação do mal) quanto positiva (promovendo a disseminação da verdade e da bondade e, em especial, do evangelho).

Assim, por que nós, cristãos, não exercemos um efeito mais saudável na sociedade? Vemos as tendências à deterioração à nossa volta. Vemos injustiças sociais, os conflitos raciais, violência nas ruas, corrupção nas altas esferas, promiscuidade sexual e a praga da Aids. Quem é o culpado? Temos o costume de culpar a todos, exceto a nós mesmos. Mas deixem-me colocar isso de outro modo.

Se a casa está escura à noite, não faz sentido culpar a casa por estar escura. Isso é o que acontece quando o sol se põe. A pergunta a fazer é: onde está a luz?

Do mesmo modo, se a carne se estraga e se torna intragável, não faz sentido culpar a carne por se estragar. Isso é o que acontece quando as bactérias são deixadas livres para se multiplicar.

A pergunta a fazer é: onde está o sal? Assim também, se a sociedade se torna corrupta (como uma noite escura ou um peixe que cheira mal), não faz sentido culpar a sociedade por sua corrupção. Isso é o que acontece quando o mal humano não é restringido e refreado. A pergunta a fazer é: onde está a igreja? Onde estão o sal e a luz de Jesus?

É hipocrisia arregalar os olhos e dar de ombros, como se a responsabilidade não fosse nossa. Jesus nos mandou ser sal e luz na sociedade. Se, portanto, a escuridão e a putrefação sobejam, em grande parte é por falha nossa, e precisamos aceitar boa parte da culpa. Também precisamos aceitar, com nova determinação, o papel que Jesus designou para nós, ou seja, ser sal e luz da sociedade.

Não são apenas os indivíduos que podem ser mudados; as sociedades também podem. É claro que não conseguiremos uma sociedade perfeita, mas podemos melhorá-la. Os cristãos não são utopistas. Até Cristo voltar em glória, não haverá uma sociedade perfeita de paz e justiça. Mas, por enquanto, a História está repleta de exemplos de desenvolvimentos sociais – melhoria de padrões de saúde e higiene, maior disponibilidade de alfabetização e instrução, emancipação de mulheres, melhores condições nas minas, fábricas e prisões, e a abolição da escravatura e do comércio de escravos.

Não podemos afirmar que todos esses desenvolvimentos se devem inteiramente à influência cristã. Mas podemos afirmar que (por meio de seus seguidores) Jesus Cristo tem exercido uma influência enorme para o bem.”

STOTT, John. A Igreja Autêntica, Ed. Ultimato, p. 132-134.

Publicado originalmente em https://ultimato.com.br/sites/john-stott/2015/05/13/a-hipocrisia-de-nao-ser-sal-e-luz/

A oração matinal de John Stott

A cada manhã, John Stott iniciava o dia com essa oração trinitariana:

Bom dia Pai celestial,
Bom dia Senhor Jesus,
Bom dia Espírito Santo.

Pai celestial, te adoro como criador e sustentador do universo.
Senhor Jesus, te adoro, Salvador e Senhor do mundo.
Espírito Santo, te adoro, santificador do povo de Deus.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Pai celestial, oro para que eu viva esse dia em Sua presença
e o agrade mais e mais.

Senhor Jesus, oro para que nesse dia, eu possa tomar a minha cruz e segui-lo.

Espírito Santo, oro para que nesse dia me enchas de Ti mesmo e faça Seu fruto amadurecer em minha vida:
amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.

Santa, bendita e gloriosa Trindade, três pessoas em um Deus
tenha misericórdia de mim.

Amém.

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Texto original em inglês:

Good morning heavenly Father,
good morning Lord Jesus,
good morning Holy Spirit.

Heavenly Father, I worship you as the creator and sustainer of the universe.
Lord Jesus, I worship you, Savior and Lord of the world.
Holy Spirit, I worship you, sanctifier of the people of God.

Glory to the Father, and to the Son and to the Holy Spirit.

Heavenly Father, I pray that I may live this day in your presence
and please you more and more.

Lord Jesus, I pray that this day I may take up my cross and follow you.

Holy Spirit, I pray that this day you will fill me with yourself and cause your fruit to ripen in my life:
love, joy, peace, patience, kindness, goodness, faithfulness, gentleness and self-control.

Holy, blessed and glorious Trinity, three persons in one God,
have mercy upon me. Amen.

– John Stott, quoted in Basic Christian: The Inside Story of John Stott

John Stott

Parceiro do café nos próximos dias: “John Stott on The Christian life: between two worlds”, Tim Chester, Crossway

Um ótimo livro ainda a ser publicado por alguma boa editora cristã em língua portuguesa.

Nesta quinta-feira (27/07) marcam 12 anos de sua morte. Celebro a vida e legado de uncle John – uma das maiores influências na minha vida – que ainda hoje ensina que o viver em Cristo é dia-a-dia servindo com humildade e compaixão no evangelho de Jesus Cristo. Vou aproveitar para compartilhar alguns posts e textos sobre o rev. John Stott durante essa semana.

Um ótimo livro ainda a ser publicado por alguma boa editora cristã em língua portuguesa.

Para quem ainda não leu ou leu pouco de sua obra, comece por: “Crer é também pensar”; “Cristianismo equilibrado”; “Cristianismo básico “;

Ou para quem quer saber a essência de seu pensamento, leia “O cristão contemporâneo” e “A cruz de Cristo” (livro que ele considerava sua maior obra e maior esforço literário e teólogico).